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5 de Agosto de 2021

Concurso Público é realmente uma fila?

Ser aprovado é realmente uma fila? Conheça um pouco da história de UM, dentre os mais de 12 milhões de pessoas, que prestam provas de concursos públicos todos os anos no Brasil.

Silvimar Charlles, Bacharel em Direito
Publicado por Silvimar Charlles
há 3 anos

E aí pessoal! Tudo certinho?

Há aproximadamente um mês , como mais um projeto pessoal, iniciei algumas publicações aqui no JusBrasil. No meu primeiro artigo (se é que pode chamá-lo assim) falei sobre o Princípio da Segurança Legítima (VEJAM AQUI) cobrado em uma prova elaborada pelo Cespe, hoje Cebraspe. Também já publiquei sobre o direito à nomeação (líquido e certo ou subjetivo?) do candidato aprovado dentro do número de vagas (VEJAM AQUI) e até da minha experiência enquanto acadêmico de direito visitando uma unidade prisional para produzir uma matéria para um concurso de reportagem (VEJAM AQUI), a qual me consagrou como vencedor. Mas hoje o assunto é outro: gostaria de compartilhar brevemente uma experiência pessoal sobre a famosa frase: "concurso público não se faz para passar, mas até passar"

O começo...

Bem, eu hoje sou acadêmico no curso de Direito, porém tenho formação técnica em mecânica industrial, pois a formação técnica foi (e ainda é) o melhor caminho para encurtar as distâncias entre o trabalhador e o emprego e na época eu precisava mesmo trabalhar. Em 2008 eu ingresso na Escola Técnica, o SENAI de Feira de Santana e lá fiquei até 2010, período de muito sacrifício, por ser natural de uma cidade do interior da Bahia e ter que se deslocar diariamente para realização do curso, porém foi também um período de muito aprendizado e muitas amizades, algumas que permanecem até hoje. Eu estudava muito (em casa e na sala de aula), o que me rendeu alguns apelidos positivos ligados à memória.

Ao término do curso, eu já estava empregado em uma boa empresa e o Brasil passava por um momento muito positivo na economia com crescimento do PIB de 7,6% em 2010 e esse cenário se refletia em oportunidades por todo país e é claro, também para a maior empresa brasileira a época, a Petrobras. A petrolífera brasileira realizava concursos públicos para preenchimento do seu quadro de técnicos e engenheiros a cada seis meses e isso animava muito os técnicos recém formados e também em formação.

A primeira tentativa:

Foi em 2010 que eu fiz o meu primeiro concurso da Petrobras (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP-RH-1/2010) o edital saiu em março e a prova marcada para maio de 2010, a avaliação constava de 60 questões, sendo 20 de conhecimentos básicos (português e matemática) e 40 de conhecimentos específicos da área para a qual o candidato escolheu e de acordo com a sua formação. Para o candidato ser aprovado (o que gerava grande expectativa de convocação) bastava acertar apenas 50% de CB e 60% de CE, ou seja, 10 questões de conhecimentos básicos e 24 de conhecimentos específicos. Eu estava no 3º semestre (de quatro) do curso e fiz a prova, adivinhem... Acertei as 24 de CE (uhuuu!! Tô dentro) e CB? Acertei apenas 5 das 20!!! Então cheguei a conclusão que o meu ensino médio e a minha falta de dedicação a época dele não me prepararam para a jornada da vida, então, fiz o que qualquer concurseiro faria: estudar!!!

Começando do zero...

Comprei um curso em DVDs do Telecurso 2000, ensino fundamental e médio e "comecei do zero", mantendo o estudo nas matérias que me dava bem e agora numa espécie de "realfabetização" com teleaulas nas outras que precisava melhorar.

Segunda tentativa:

Então, saiu o concurso subsequente (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP-RH-2/2010) em dezembro de 2010 com a prova marcada para fevereiro de 2011. Estudei muito e fui fazer, agora acertei as 10 de CB, o mínimo para ser aprovado (uhuuu!! Tô dentro) , e CE? Acertei 23! Isso mesmo pessoal! Por causa de UMA QUESTÃO eu fiquei fora dessa vez, mas uma vez não deu... No entanto, perceberam que houve uma melhora?

Terceira tentativa:

Em junho de 2011 saiu mais um edital com a prova para agosto (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP-RH-1/2011) com 12 vagas para Técnico em Mecânica para o estado da Bahia, mais uma vez estudei muito e fui fazer! Fiz e consegui ficar aprovado na 52ª posição, e chamaram quantos? até o 42ª.

Quarta tentativa:

Em novembro do mesmo ano (2011) mais um edital com a prova marcada para janeiro de 2012 (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP-RH-2/2011), mais uma vez, estudei muito e fui fazer, fiz e fiquei aprovado, agora na 21ª posição para uma vaga, e chamaram quantos? até a 11ª.

Quinta tentativa:

Em março de 2012 saiu mais um com a prova marcada para maio do mesmo ano (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP-RH-1/2012), este em específico tinha pouquíssimas vagas, então me inscrevi para as duas vagas de Técnico de Suprimentos, especialidade mecânica, mais uma vez estudei muitíssimo e fiz, fiquei aprovado em 3ª colocação dentre os 484 inscritos (a maior concorrência para o cargo no Brasil), com o mesmo número de acertos do 1º e 2º, ficando na 3ª posição depois de aplicados os critérios de desempate. Olha só como eu me sentir:

Agora, aprovado em 3ª posição para duas vagas e a Petrobras com o histórico de chamar além das vagas, então eu fiquei na expectativa, foi quando aconteceu: fui convocado para realização dos exames médicos! Todos na capital, Salvador-Ba. Lembro-me que saia de Feira de Santana-Ba às 05:00 da manhã para ser um dos primeiros nas avaliações (exames dos mais simples como sangue e urina até os mais complexos como Raio X da face), fiz todos os exames, levei para a médica da Petrobras na sede em Salvador para avaliar, tudo perfeito, tudo lindo, ela assinou o meu Atestado de Saúde Ocupacional - ASO, com o "apto para trabalhar". Imaginem a alegria. Eu só pensava em comprar logo o meu HB20S da Hyundai e poder desfrutar da justa recompensa do meu esforço. Porém o momento que o Brasil vivia já era outro, o PIB de 2012 foi 1.8% e, nesse momento, a Petrobras não tinha mais aquela política de chamar além das vagas. Poxa!!! Logo na minha vez? Isso mesmo pessoal! O concurso venceu e não fui contratado, mas por que? Porque não passei dentro do número de vagas. Ficar em 3º para duas vagas só me dava mera expectativa de ser contratado.

Sexta tentativa:

Cheguei até a fazer outro (EDITAL Nº 1 - PETROBRAS/PSP RH 2014.2) que saiu em setembro de 2014 com a prova marcada para dezembro do mesmo ano. Mais uma vez estudei muito e fui fazer, resultado: 03 vagas, fiquei aprovado na 9ª posição e chamaram até o 5º colocado.

Resumindo:

Podem notar que houve uma evolução no decorrer dos anos estudando para uma mesma área com afinco e dedicação, mantendo sempre um bom nível de aproveitamento nas matérias que eu ia bem e, trabalhando nas outras que não ia tão bem assim para melhorar. É bom frisar que as vezes acontece algumas situações quando estudamos para concursos públicos que fogem a nossa capacidade de resolução. É normal! É assim mesmo!

E aí Silvimar! Como você está hoje?

Embora não tenha entrado na Petrobras, hoje sou servidor público, trabalho numa área onde sinto que posso dar uma contribuição importante à coletividade, meu trabalho me permite fazer a minha graduação em Direito com tranquilidade, tenho tempo e dinheiro para tudo que preciso, tô feliz da vida!!!

Então, estudar para concursos públicos é realmente um fila?

Eu respondo que SIM!!!

Mas o que aconteceu?

Não dava para contar tudo aqui. Vejam a minha história completa no rol dos aprovados do site fuiaprovado.com ou na coluna "Casos de Sucesso" do FolhaDirigida.

Gostaram? RECOMENDEM. Essa história pode inspirar alguém.

Conte-nos também as suas experiências: COMENTEM

Um forte abraço e até a próxima!!!

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